quinta-feira, janeiro 12, 2006

Invasão e libertação
(varre-se o espaço potencial)

A intensidade que abarca
e navega embora
é pesada como uma arca
quando chega a hora

de a fechar ou abrir.
Pesa como o eclodir
de antecipações
feitas de limitações,

que apertam, revolvem
e desencaixam
a postura - súbitas vêm
e as costas rebaixam.

Do reinventar da forma,
o evento torna-se
apagado, pão sem fôrma,
sem festim. Torna-se

a tremer o desengano,
a drenar a paciência
do caule do gordo ano.
Assim se planta a demência.

Incontidos, os nervosos
piscares de olhos
e de reflexos pavorosos
são dos pães os môlhos

únicos e bolorentos,
os vagos adventos
do acentuado na frase.
São da ânsia mais uma fase.

Agito-me e cuspo-me.
Refuto com nojo
a paranóia e dispo-me
de complexo. Alojo

novo parque com lugar
para as viaturas
da poesia por criar
nos livros de capas duras.